A diversidade e a sustentabilidade foram os temas do painel que ocorreu na tarde desta terça-feira no espaço Mundo da Diversidade do AIJ. A atividade contou com a participação de Rualdo Menegat, do instituto de Geociências da Ufrgs, além das professoras Cláudia Penaldo e Carmen de Lima e dos líderes indígenas José e Kamayurá.
Cláudia Penaldo acredita que a escola não está preparada para o ensino da diversidade: “A escola formal está estruturada em um pensamento, uma expressão. Quando falamos em diversidade, estamos falando de múltiplas expressões”. A professora disse também que o problema não é o preconceito, mas a forma como lidamos com ele. Para Carmen de Lima, do Coletivo Estadual de Educadores Negros do Rio Grande do Sul, a discriminação está introjetada nas pessoas, conforme uma educação que determina que a etnia é uma diferença. “Somos mesmo diferentes, mas precisamos ser respeitados por isso”.
Carmen e Cláudia concordaram que a escola é a instituição capaz de promover as mudanças, através de reflexão sobre suas práticas, diálogo e ações que promovam a inclusão. De acordo com as professoras, a desconstrução do preconceito implica em discussão sobre a diversidade na sala de aula: “O assunto precisa estar no plano político-pedagógico da escola”, sugere Carmen. Cláudia completa: “É preciso levar a vida e as experiências dos alunos para a sala de aula”.
Conforme o cacique José, da tribo dos caingangues, os direitos dos índios não são respeitados, principalmente os referentes à educação. José defendeu o aumento no número de vagas destinadas aos caingangues nas universidades. Kamayurá, da tribo dos pataxós, opinou que o governo precisa de uma visão mais ampla para reparar os erros cometidos contra os índios no passado. Ele criticou a política brasileira: “Aqui, a democracia não funciona. Só se você tem dinheiro você faz”.
O professor Rualdo Menegat, do instituto de Geociências da Ufrgs, destacou que o tamanho das cidades prejudica o respeito às diferenças: “As cidades não abrem mais espaços para a diversidade. Hoje, elas são tão grandes que não podemos perceber os limites do urbano e do natural”. Rualdo negou que a culpada por isso seja a tecnologia; para ele, o problema é a cultura. “O meio urbano é voraz: consome demais e desperdiça. É triste pensar que somos o único animal que polui sua própria água”.