O AIJ recebeu na manhã desta quarta-feira a visita do Ministro da Justiça, Tarso Genro. Tarso apresentou o painel “A juventude construindo uma cultura de paz e cidadania na segurança”, no Espaço Mundo da Diversidade. A atividade contou também com a presença do prefeito de Novo Hamburgo, Tarcísio Zimmermann, e do secretário estadual da Juventude do PT, Mauricio Piccin.
Tarso relembrou as críticas recebidas durante a primeira edição do Forum Social Mundial, que aconteceu há dez anos, durante sua administração como prefeito de Porto Alegre: “Dizer que as utopias são perigosas é uma mentira. Eu posso dizer que quem não tem utopias é perigoso”. O ministro garantiu que os ideais de esquerda não foram esquecidos. Para mantê-los, destacou a importância da solidariedade e do inconformismo: “Temos de entender o outro como extensão de nós mesmos, negar a instrumentalização do corpo e da mente e não calar frente às injustiças”.
O sistema atual foi criticado por Tarso. Segundo ele, este é “feito para segregar, oprimir e dominar, além de transformar quaisquer conflitos em lutas de classe”. Aos jovens, o ministro aconselhou: “Jamais deixem o espírito utópico e a luta política. A utopia e a política real se comuniam através de seus princípios.”
O convidado ouviu as manifestações da plateia. O estudante Tiago Braga opinou que “o governo gaúcho está sucateando a educação e criminalizando movimentos”. William Figueiredo, também estudante, questionou o que deve ser feito para reerguer e manter as utopias. Tarso enfatizou a importância da postura política: “A retomada de uma visão pluralista da esquerda é seu grande movimento de renovação”. Último a falar, o índio Kamayurá, da tribo dos pataxós, protestou contra a invisibilidade do povo indígena perante a sociedade: “Cadê o índio? Queremos nossos direitos. Cuidamos da terra para o governo, que nos expulsa quando quer”. Tarso concordou: de acordo com ele, há muitas debilidades e é preciso inclusive reformar a estrutura da Funai.